Nunca se sentiram na pele de um monstro?!
Uma vontade crescente no peito de deitar tudo para trás das costas,
Ceder aos nossos impulsos mais básicos...
Libertar uma fúria que nos corrói a alma.
Nos cobre com um manto de escuridão cada vez mais espesso,
Nos chama lentamente para causar destruição.
Aquele sussurrar nos ouvidos... maldito, destruidor...
Aceitar que alguns somos lobos no meio de pequenos cães.
Uns são o cãozinho de companhia, outros o de trabalho,
Outros ainda são de guarda... mas alguns somos lobos,
E todos os outros deviam andar com mais cuidado quando junto a nós,
Mas por vezes a escuridão é tanta que cedemos à fúria.
E como os furiosos de antigamente só paramos quando a nossa sede for saciada,
Quando a vingança se consuma, quando a dor é substituída pelo cansaço.
É nestes momentos que agradeço ter uma mente,
Um instrumento que me permite racionalizar mesmo as questões mais difíceis.
Mas a verdade é que nem sempre a mente se sobrepõe ao animal.
E quando a escuridão aumenta, nunca se sabe qual irá ganhar...
Por isso vos pergunto, nunca se sentiram na pele de um monstro?
Pois eu já...